pega essa costura de golpes inaudíveis

e chamo o ricardo correa da silva | desconhecido como fofão da augusta | fala a partir de uma identidade desalojada | como se a identidade | fosse um membro amputado | diz: “ele precisa parar | de caminhar na dor | ficar ‘ai, ele é dodói | e aceitar calor humano” | cálida é a sua travessia | em cada vértebra de rua | em cada quarto de passagem | onde se deita | quem mais não está | alocado no corpo || e chamo a stela do patrocínio | desconhecida como outro reino | com a existência despejada | pela ciência instauradora da loucura | fala de dentro da derrelicção | e é quase lírica | diz: “meu nome verdadeiro é caixão enterro | cemitério defunto cadáver | esqueleto humano asilo de velhos” | “tinha terra preta no chão | um homem foi lá e disse | deita aí no chão pra mim te foder | eu disse não | vou-me embora daqui | aí eu saí de lá | vim andando” ||
por esse espaço | na medida de um não | de onde se pode sair em pé da violência ||
chamo a estamira | desconhecida desde antes de nascer | fala de dentro de uma consciência capaz | de sobrevoar o depósito dos restos | diz: “agora a pessoa não pode mais ter perturbações mentais? | não pode?” | “eu transbordei de raiva | eu transbordei de ficar invisível com tanta hipocrisia, com tanta mentira, com tanta perversidade, com tanto trocadilo, eu, estamira” | “eu sou a beira do mundo”
pega essa costura de golpes inaudíveis | & amarra | na seta apontada pro alto || o golpe é na carne | é na cara | é à faca

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