rascunho de um poema novo

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foto: ryan mcginley

floração de ausências | da pele à estrela mais alta | borbulha em sigilo por eternidades | antes de se alastrar | no que a voz revela | edifica

no edifício-voz fica a costura de mapas | e em cada mapa um planeta | uma esquina | um buraco | onde podem caber duas mãos e um arco | e o reflexo de um corpo ainda inominado

isso ainda é floração de silêncios | com a força de cem búfalos à espera de um disparo

&

há mais de mil modulações entre galope e baile | sob o fio de pulso e sopro | a carnadura ainda pensa | com mais potência e impotência do que seria suportável

isso ainda é ofício | seguir e observar | cada passo colhido | escolhido | inventado | na medida de uma voz | e flagrar a distração | no que é dizível | mensurável | isso ainda é ousado

buscar a parte oculta em cada linha e desalinho | arquitetura e mapa | até estar em face | do que ferve e referve em sigilo | aquilo ainda é levedura e lava

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