saio à rua vestida em meu próprio sangue

ginley_a

fragmentos

Deito no chão e fico aqui até cansar de ver a sombra das grades no tule e na pele. Forma recortes na brancura, que se estende interminável até o vestido. Ali, nas bordas da caixa, parece um pano eviscerado. Aqui é o quarto das costuras. A janela tem grades pra impedir que as crianças menores se acidentem. Nenhuma delas veio hoje. Nada das correrias e os gritinhos em falsete. Finjo por elas que sou a cerzideira. Sinto prazer em fazer de conta que sou eu. Quem tece o que visto.

O continente é interminável.  Tem tanta neve que queima até a voz. Imagine isto: uma voz incendiada pelo frio. Continuar lendo “saio à rua vestida em meu próprio sangue”