imagem & texto

copiafiel

Imagem como aquilo que transcende os limites do corpo. A infinita alteridade mediada pela finitude do “corpo que olha”.

A imagem faz internalizar o outro, simula uma experiência de extensão do “eu” naquilo que ele pode enxergar. Tudo o que é visto se torna parte de nosso “imaginário”. A imagem, em nós, é síntese da experiência com um dado externo (coleção de traços, nuances) e as sensações que esse dado causa/causou. A imagem, ao mesmo tempo em que nos dá a alteridade em contornos (figuras, texturas, cores), expõe a distância  entre o “eu” e o que está aquém ou além do sujeito. A imagem, por mediar nossa relação com a alteridade e desejar incorporá-la, aponta esse lugar inexprimível do que está aquém ou além da percepção.

Ao tomar uma imagem, que expõe nossa distância daquilo que nos transcende, como substituto do próprio transcendente, ao tomar uma imagem, que é um aspecto, como absoluto, fazemos dela um objeto de idolatria ou de fetiche (apagamento do processo metonímico). Continuar lendo “imagem & texto”

alienígena

sob-a-pele

a) A poesia teria o poder de tornar a realidade movediça ou de expandir a periferia da realidade até confundir as fronteiras. Mas a potência da poesia é de ordem negativa, não atua no plano dos sistemas, só é possível onde a linguagem fracassa.
b) Entre nomes, imagens e coisas há zonas de transição ou inteiramente intocadas pelos acordos e litígios da linguagem. Esse “entre” é a forja do poético. A erupção da poesia traz à superfície o que se tornava oculto pela pressão do instrumental.
c) É a poesia que recupera a fecundidade de um signo higienizado pela linguagem oficial.
d) Entre a poesia e o poema existe o corpo. A poesia migra ao poema como extensão desse corpo que arranja seus ritos e ritmos, resíduos de imagem-som alcançados pela percepção, refeitos em ideia musical. Dessa experiência ultracondensada, lança enigmas incandescentes à realidade, recodifica legendas.
e) Ia partir daqui e falar da poesia como princípio das metamorfoses. Aí fui parar num filme, o sob a pele, poesia intensa, pra adensar o imaginário.

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